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Extra-reflexão
É bom, dizia um dos gênios da Alemanha, que cada um conheça os demônios que o movem. Os homens não são assim tão livres - se é que o são. Cada um escolhe o seu senhor. O meu, particularmente, é deveras cruel. Amo-o porém, e me submeto aos seus martírios. E quão terríveis são! Perdi já as contas de quantas noites passei em claro por sua causa. Esta não é exceção: breve vai nascer o sol, meu corpo dói, a cama chama-me. Resisto sem maior dificuldade e sem opção. As amarras invisíveis que me prendem superam magnificamente as de Ulisses: privam-me à própria vontade motivadora que geraria a ação. Sede insaciável que não me dá repouso! E quanto mais eu cedo, maior seu poder. E a resistência é tão inútil, sem sentido e até mesmo indesejada que nem tento mais. Cruel e poderoso este senhor que escolhi. E que absurdo dizer "escolhi"! Algo que me acompanha desde a mais tenra idade... Só posso estar aquém de tal poder. Ora, os homens, se escolhessem, seriam livres. Se se submetessem - em vez de serem submetidos - não teriam, ipso facto, um senhor. Ao contrário, foram a ânsia de conhecer, a compulsão de pensar e a necessidade de escrever que me escolheram, que me criaram. São do que falo. São o que vivo. São meu sentido e força mais primitivos.
Meu fado...
(vk - 12/02/07 - 5:41a.m.)
- Por que diabos o título não aceita hifens? Estamos começando mal...