19.07.07
Eu, as pedras, o mar e eu.
A minha força se impõe e insiste. Os dias passam e a sua chama queima toda a decadência. As raízes do poder fincam-se ao solo e tudo sugam. Os limites vão ao infinito buscar mais limites. Como um piano ao sol, tocado de pé, até a exaustão. O mar ruge e espanca, mas as pedras resistem, e as pedras não sentem dor, e as pedras não choram. E o mar vai, e o mar volta, e as pedras ficam. O tolo mar... Amante da lua, segue-a em sua inconstância. E as pedras inertes existem na imobilidade e este é todo o sentido de sua existência - se é que há algum sentido na existência. O fogo da mudança que cria e destrói é privilégio de almas imperfeitas como a minha. Aonde irão as pedras? Às pedras nada falta. Eu amo a escassez, a imperfeição, a necessidade, mas também - e principalmente - o controle. Enoja-me o mar, que segue a lua, que é arrastado pelo vento, que inveja as pedras contra as quais se volta. Observo o mar, amo as pedras, degusto o vento e até sonho com a lua. Mas abandono a todos e invento os meus caminhos.
(19/07/07)
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criado por entimema
13:45:11