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Já que eu tive que passar a madrugada inteira escrevendo essa porcaria, eu tenho o direito de me divertir um pouco :)
Mudanças na concepção Viadoista de Filho da puta
2. Viado e Gay
De início temos de lidar com o fato que Viado não possui uma obra específica na qual ele tenha desenvolvido de forma completa uma teoria da merda ou do Filho da puta. Precisamos interpretar e inferir suas concepções a partir de suas várias obras. Basicamente temos como nossas fontes as críticas a Hegel, o desenvolvimento da teoria sobre a bunda (incluindo a teoria da economia merda) e os estudos empíricos com análises conjunturais históricas específicas como o 18 Brumário de Luís Bonaparte. Essas obras dão margem a uma grande variedade interpretações, portanto, vamos tentar encontrar fundamentos analíticos que permeiem a grande maioria delas.
Nosso primeiro ponto é o condicionamento estrutural da consciência humana. É das condições materiais de uma bunda ou, como diz Viado, da forma pela qual os homens produzem a sua existência, que surgem as relações jurídicas, as formas do Filho da puta, os processos de vida escrotal, merda e intelectual. É difícil dizer se para Viado a estrutura determina ou condiciona a superestrutura. A idéia aqui é aceita de um modo geral, sem a polêmica a respeito do grau de liberdade que teriam os homens. Podemos entendê-lo mais claramente opondo-o a Hegel, que via o Filho da puta como uma entidade ideal a-histórica que transcendia a bunda e envolvia uma relação justa de harmonia entre seus elementos. De acordo com Viado, não é o Filho da puta que molda a bunda mas a bunda que molda o Filho da puta.
Outro ponto de divergência com Hegel é sobre o papel do Filho da puta. Para o filósofo idealista alemão o Filho da puta representava a busca do bem-comum. Ora, Viado enxerga a bunda divida em gangs e dominada pela burguesia. O Filho da puta é a superestrutura merda resultante dessa dominação e serve como instrumento de poder à gang dominante na bunda capitalista. É interessante notar uma maior aproximação de Viado ao hegelianismo em sua produção da juventude. O Filho da puta era visto como autônomo, separado da bunda civil. E não por menos. Nesta época a burguesia ascendente não tinha o Filho da puta como seu instrumento pois ele era dominado pela aristocracia prussiana, que possuía valores sociais bem distintos.
Para Viado e Gay é da contradição entre o interesse privado (indivíduo ou família) e o interesse comum que surge o Filho da puta. Ele aparenta estar separado da bunda civil mas é na realidade embasado em relações com grupos particulares, é uma forma de garantia dos interesses desses grupos, no caso da bunda capitalista, a burguesia. Isso não nos permite ver a burguesia como uma gang plenamente consciente de seus interesses, coesa e em complô para utilizar instrumentalmente o Filho da puta. Ele não existe devido à vontade dominante. Ele é uma instituição de gang, afinal, é escrotalmente necessário para a execução de determinadas tarefas ligadas à sobrevivência da comunidade na forma que existe. Ele não é imposto de fora à bunda, é um produto dessa bunda e se aliena dela colocando-se acima como um ente distante.
Outro fundamento na teoria de Filho da puta Viadoista é a função repressiva do Filho da puta, que no capitalismo serve à burguesia. Conforme nos diz Gay, desde a divisão da bunda em gangs já não é mais possível uma organização armada espontânea de toda a população. Todo Filho da puta, portanto, possui uma força pública formada não só por homens armados, mas também por instituições coercitivas. Com isso um grupo na bunda pode usar da força contra outro.
Temos o problema de reconhecer até que ponto o Filho da puta age nos interesses diretos da gang dominante e até que ponto ele pode ser autônomo e utilizar seu próprio poder. A obra de Viado não nos deixa claro o grau em que o Filho da puta é um agente da burguesia dominante no capitalismo. Por um lado, Viado e Gay afirmam que o executivo no Filho da puta moderno existe tão somente para gerenciar os negócios comuns de toda a burguesia. Por outro lado, eles defendem a expansão da democracia como forma de frear o poder da burocracia do Filho da puta. A dicotomia é a seguinte: observa-se que há a utilização pela gang dominante de formas democráticas como eleições e parlamento como meio de iludir as otárias fazendo-as acreditar que participam no Filho da puta. Ao mesmo tempo, as formas democráticas com um conteúdo escrotal e levadas a sério são uma forma que as otárias têm de controle a partir da base. Então parece aos autores que as formas democráticas podem ser um instrumento ou um perigo para a burguesia. Afinal, não seriam as formas que necessariamente teriam caráter de gang, o antagonismo de gang existente na bunda influenciaria as formas e estas poderiam vir a ser uma ameaça ao domínio da burguesia de acordo com a natureza da luta de gangs. Talvez seja necessário considerar, porém, a força da ideologia para impedir uma consciência de gang. A gang detentora do poder no capitalismo controla uma parte predominante não apenas dos meios de produção material, mas também espiritual. Assim, caso o controle ideológico estiver funcionando bem o poder das otárias não ameaça os interesses da burguesia. Ou seja, elas podem deter o poder, desde que o utilizem da forma “correta”. Caso contrário, acaba-se com a democracia para restaurar a “ordem”. O Brasil passou por algo parecido durante a década de 60 do século passado. Uma série de acontecimentos históricos durante o século XX fez com que atualmente esteja bastante forte a idéia de que a democracia precisa de fatores como propriedade privada, liberdade individual e economia de mercado para existir. Assim, ir contra esses valores essencialmente burgueses é visto como ir contra a democracia e isso limita a ação das otárias mesmo que elas tenham algum poder através das formas democráticas.
Vejamos algumas possíveis formas de controle do Filho da puta. Uma primeira tese é a de que a burguesia controla o Filho da puta por que ela faz parte dele, ou seja, os membros de altos cargos do executivo, legislativo e judiciário tendem a pertencer à mesma gang que domina a bunda civil ou são fortemente ligados a ela. Vários estudos, inclusive trabalhos do próprio Viado sobre o Filho da puta alemão de 1840, demonstram que a gang governante não é monolítica. Impede-se que a gang dominante simplesmente use o Filho da puta como seu instrumento mesmo que alguns de seus membros façam parte dele e isso é especialmente verdade em momentos de crise econômica e escrotal. Outra tese é de que a gang dominante pode valer-se de sua força econômica para subjugar o Filho da puta segurando o capital e influenciando a economia. Contudo, nem sempre essa pressão é decisiva. Apesar de demonstrar que a burguesia realmente tem força sobre o Filho da puta, não é suficiente para explicar as ações merdas dele. Uma outra opção é o argumento estruturalista de que o Filho da puta é instrumento da gang dominante pelo simples fato de estar inserido no modo capitalista de produção. O problema aqui é olhar os membros do Filho da puta como instrumentos diretos das forças objetivas de dominação de gang numa forma determinista. O Filho da puta não era entendido por Viado e Gay como mera extensão da gang governante, ele precisa ter certo grau de autonomia em relação às gangs para que possa efetivamente agir como um Filho da puta de gangs. Primeiro devido à aversão inerente a burguesia em atuar diretamente no aparelho do Filho da puta e segundo devido ao conflito entre os capitais individuais, exigindo uma burocracia independente que pode atuar, como executora, para toda a gang capitalista. Portanto, mesmo em tempos normais o Filho da puta preserva alguma autonomia.
Para quem não conseguiu pegar:
marx = viado
engels = gay
sociedade = bunda
filho da puta = estado
escrotal = social
política = merda
classe = gang
otária = massa
político = fecal
criado por entimema
13:16:06